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Ciclo pecuário entra em transição e pede estratégia

Análise técnica aponta reação nos preços, enquanto parte da cadeia ainda lida com oferta elevada de animais

Ciclo pecuário entra em transição e pede estratégia

Fase de transição do ciclo pecuário exige mais estratégia do produtor rural. Foto: Famasul / Divulgação

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Foto do autor Redação RuralNews
29/01/2026 |

Análise do Departamento Técnico da Famasul mostra que Mato Grosso do Sul atravessa uma fase de transição no ciclo pecuário. O Estado começa a sair do período de baixa e avança gradualmente em direção a uma nova fase de alta.

Nesse momento, os preços iniciam reação, mas a oferta de animais ainda permanece elevada, reflexo das decisões produtivas adotadas nos últimos anos. O mercado exibe sinais positivos, porém as margens seguem pressionadas em parte da cadeia.

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Cria reage, recria e engorda sentem primeiro

Os efeitos desse movimento variam conforme o sistema produtivo. Na cria, o cenário já se mostra mais favorável. A valorização do bezerro aumenta a receita e indica perspectivas melhores no médio prazo. Ainda assim, a retenção de fêmeas exige cautela, principalmente em propriedades com limitações de capital, pastagem ou estrutura.

Nos sistemas de recria e terminação, o impacto é mais desafiador no curto prazo. O preço dos animais de reposição sobe antes da valorização plena da arroba do boi gordo, o que comprime as margens. Esse descompasso caracteriza a fase de transição do ciclo.

Segundo a Famasul, o Estado já superou o fundo do ciclo, marcado por preços deprimidos e descarte acelerado de fêmeas. No entanto, ainda não ingressou totalmente na fase de alta, que pressupõe redução mais clara no abate de matrizes e recomposição consistente do rebanho.

“O cenário atual é compatível com uma fase de inflexão, em que os preços começam a reagir antes que as mudanças biológicas na oferta se materializem plenamente”, afirma Diego Guidolin, consultor em pecuária do Departamento Técnico da Famasul.

Histórico explica a virada do ciclo

Entre 2019 e 2021, os preços da arroba e dos animais de reposição ficaram elevados, o que estimulou a retenção de fêmeas e a expansão do rebanho. A partir de 2022, o abate de fêmeas cresceu e atingiu participação próxima ou superior a 49% do total, patamar associado às fases de baixa.

Esse movimento reduziu o rebanho estadual, que passou de mais de 20,5 milhões de cabeças em 2017 para cerca de 17,2 milhões em 2023.

Nos anos recentes, os indicadores começaram a mudar. Em 2024 e 2025, o abate de fêmeas ainda se manteve elevado, mas houve estabilização e leve recuperação do rebanho. Ao mesmo tempo, a arroba do boi gordo alcançou R$ 306,93 até novembro, enquanto o bezerro chegou a R$ 2.658,03, sinalizando expectativa de restrição futura na oferta.

“Mesmo antes de uma redução expressiva no abate de fêmeas, o encarecimento da reposição indica mudança de percepção dos agentes de mercado, o que historicamente antecede a consolidação da fase de alta do ciclo”, destaca Guidolin.

Volatilidade cresce e comercialização vira peça-chave

Nas fases de transição e de alta, os preços tendem a melhorar, mas também ficam mais voláteis. Oscilações ocorrem mesmo em cenários positivos, influenciadas por oferta momentânea, exportações e condições econômicas externas.

Nesse contexto, a comercialização assume papel estratégico. No mercado físico à vista, o risco de oscilação recai totalmente sobre o produtor. Já contratos a termo oferecem previsibilidade ao permitir a fixação antecipada de preço, volume e data de entrega.

O mercado futuro possibilita proteção contra quedas por meio do hedge, enquanto as opções funcionam como um seguro de preço mínimo, garantindo o direito de venda por valor previamente definido.

Essas ferramentas ganham importância para sistemas de recria e engorda, mais expostos ao aumento dos custos de reposição. Ao alinhar custos e preços de venda, o produtor reduz riscos e amplia a previsibilidade.

“O produtor que interpreta corretamente o ciclo e ajusta sua estratégia produtiva e comercial tende a atravessar esse período com mais segurança e competitividade”, reforça o consultor.

O momento exige maior profissionalização na gestão de preços. O cenário cria oportunidades, mas também demanda planejamento e uso consciente das ferramentas de comercialização, preparando o sistema produtivo para as próximas fases do ciclo.

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Editor RuralNews
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TAGS: #Pecuária # Ciclo pecuário
# Estratégia # Preços # Famasul # Mato Grosso do Sul
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